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UFMG lança campanha contra a covid-19, a fome e o frio

viva suaO posto de vacinação em sistema de drive-thru da UFMG está recebendo doações de alimentos perecíveis, leite, fraldas, cobertores e roupas lavadas e em bom estado para colaborar com a rede de cuidados a famílias em situação de vulnerabilidade social agravada pela pandemia de covid-19. O ponto de coleta fica na Unidade Administrativa II, com entrada pela Avenida Abrahão Caram 763, bairro São José. O horário de funcionamento é das 8h às 16h30.

As doações da campanha, intitulada UFMG contra a covid-19, a fome e o frio, serão destinadas aos projetos Periferia viva e Comunidade viva sem fome, que beneficiam mais de 150 iniciativas sociais de Belo Horizonte e da Região Metropolitana da capital.

Os projetos são coordenados pelo grupo de pesquisa em Comunicação, Mobilização Social e Opinião Pública (Mobiliza/UFMG), que realiza um trabalho de fortalecimento da comunicação e da mobilização social de grupos e coletivos de promoção de direitos sociais. Não há uma meta de arrecadação nem um prazo definido de duração da campanha.

A reitora Sandra Regina Goulart Almeida avalia que a campanha é mais uma ação que se integra ao movimento de combate à covid-19 e a seus efeitos sanitários e sociais empreendido pela UFMG.

“O próprio drive-thru é uma colaboração da Universidade com a campanha de vacinação coordenada em Belo Horizonte pela Prefeitura. Além de viabilizar a imunização, percebemos que o posto montado no campus poderia ser também um local de recebimento de doações para uma população que já era vulnerável e agora tem suas condições de sobrevivência ainda mais comprometidas pela pandemia”, argumenta.

Sandra Goulart acredita que, ao centralizar as doações feitas pelas pessoas que estão indo ao campus para se vacinar, a UFMG contribui para materializar “um sentido de solidariedade que é muito aguçado, inclusive na nossa comunidade”. “Certamente, a resposta será muito positiva, a exemplo do que vem ocorrendo em todas as ações propostas recentemente, como as campanhas de financiamento coletivo dos hospitais e do Museu de História Natural e Jardim Botânico”, projeta a reitora.

O posto de vacinação na UFMG começou a funcionar no dia 6 de março. Desde então, já aplicou cerca de 11 mil doses, média diária de 275 imunizações, segundo informação da Regional Pampulha. A estrutura foi montada pela Prefeitura de BH, com apoio do Departamento de Assistência à Saúde do Trabalhador (Dast). Ela opera exclusivamente no sistema drive-thru, em que a aplicação é feita sem que a pessoa precise sair do automóvel.

Ação imediata
Segundo um dos coordenadores do Mobiliza/UFMG e professor do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFMG, Daniel Reis, a campanha “convoca as pessoas à ação solidária que pode literalmente salvar vidas. Proteger-se da fome e do frio é algo elementar para a sobrevivência, mas milhões de pessoas estão com essa condição tão básica ameaçada”.

O professor também avalia que a comunidade da UFMG tem-se mostrado extremamente comprometida em muitas frentes de enfrentamento à pandemia, mas muitas delas, como as pesquisas científicas, são ações de resultados alcançáveis em médio e longo prazos. “A ciência tem seu tempo, mas as pessoas padecem de fome e de frio hoje, agora. Portanto, esta é uma convocação para uma ação muito concreta e imediata”, argumenta o professor.

A pró-reitora de extensão, Claudia Mayorga, destaca que a crise sanitária desencadeada pela covid-19 afeta todas as dimensões da vida das pessoas. Segundo ela, em um país marcado pelas desigualdades, como o Brasil, é essencial que a Universidade atue em diversas frentes. “Nosso objetivo é fortalecer ações que já eram desenvolvidas. Essa iniciativa de recolher as doações é mais um ato de solidariedade e de acolhimento dos grupos sociais, entendendo que a pandemia evidencia a importância das políticas públicas, da ciência e da solidariedade”.

Conheça os projetos
A iniciativa Periferia Viva foi lançada logo no início da pandemia, em março de 2020, e é resultado da articulação entre o Mobiliza/UFMG, a Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC), com o apoio da Laço (Associação de Apoio Social). A rede atua na Região Metropolitana de Belo Horizonte e desenvolve iniciativas comunitárias, populares e de promoção de direitos no enfrentamento às vulnerabilidades sociais surgidas ou agravadas com a emergência sanitária.

A Comunidade viva sem fome, por sua vez, é uma rede coordenada por representantes da UFMG, da AIC e da Cáritas Brasileira Regional Minas. É um projeto que desenvolve ações de segurança alimentar para as populações periféricas da Região Metropolitana de Belo Horizonte e do interior do estado. Atua em mais de 50 territórios, com base em trabalho realizado em parceria com 65 iniciativas populares e comunitárias locais, que fazem o levantamento e o acompanhamento das famílias nas situações mais graves. Por mês, o projeto atende cerca de 1,2 mil famílias, que, desde abril do ano passado, recebem kits de alimentação e higiene.

( Com Centro de Comunicação Social da UFMG)