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Estudo sobre auriculoterapia e treinamento muscular em homens com incontinência é indicado ao Prêmio UFMG Teses

A tese da pesquisadora Cissa Azevedo “Efetividade da acunputura auricular associada ao treinamento muscular pélvico para controle da incontinência urinária pós-prostatectomia radical: ensaio clínico randomizado”, orientada pela professora Tânia Couto Machado Chianca e coorientada pela professora Luciana Regina Ferreira da Mata, foi indicada pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da UFMG como melhor trabalho de doutorado defendido em 2021. A cerimônia de entrega dos certificados do Prêmio UFMG de Teses aconteceu na noite desta quinta-feira, 20 de outubro, no auditório da Reitoria, durante a 31ª Semana do Conhecimento.

premio ufmg de tesesProfessora Tânia Chianca, a pesquisadora Cissa Azevedo, professora Luciana da Mata e a diretora da EEUFMG, professora Sônia Soares

Cissa explica que a prostatectomia radical, cirurgia de remoção da próstata, pode causar efeitos urinários indesejáveis como incontinência urinária, noctúria e urgência miccional. Estes sintomas acarretam sentimentos e vivência de exclusão social e, consequente diminuição na qualidade de vida. “Para casos de incontinência urinária (IU) pós-prostatectomia radical, a Sociedade Internacional de Continência, indica a realização do treinamento muscular do soalho pélvico como primeira escolha para auxiliar no mecanismo de fechamento uretral e, consequentemente, diminuir a perda involuntária de urina. Dentre as práticas integrativas e complementares que têm contribuições na área da saúde, pode-se citar a acupuntura auricular, estimulação de acupontos no pavilhão auricular, para aliviar sinais e sintomas de diversas condições como os sintomas do trato urinário inferior. O objetivo deste estudo foi avaliar a efetividade da acupuntura auricular associada ao treinamento muscular do soalho pélvico na incontinência urinária pós-prostatectomia radical”.

Os dados foram coletados entre abril de 2019 e abril de 2020. A amostra foi constituída por 60 homens com incontinência urinária após retirada do cateter vesical de demora divididos em dois grupos: controle que recebeu orientações sobre treinamento muscular do soalho pélvico; e intervenção que recebeu acupuntura auricular associada às orientações sobre treinamento muscular do soalho pélvico. “Os resultados apontaram que a gravidade da incontinência urinária diminuiu entre o pré-teste e pós-teste nos dois grupos. Houve diferença estatisticamente significativa do impacto da IU na qualidade de vida entre os grupos no pós-teste ao nível do domínio “medidas de gravidade” e apenas no grupo intervenção para os domínios “emoções” e “sono e disposição”. O grupo intervenção teve, respectivamente, 20,8% e 25,3% menos chance de apresentar noctúria e urgência miccional. Frente a esses achados, recomenda-se a associação das terapias como um cuidado de enfermagem efetivo aos homens com incontinência urinária pós-prostatectomia radical”, conclui a pesquisadora.

Impacto
A professora Isabela Almeida Pordeus, pró-reitora de Pós-graduação, destacou “o grande impacto científico e social” dos 59 trabalhos premiados e fez referência à recente avaliação quadrienal da Capes, ainda preliminar, que também comprova a força da pós-graduação da UFMG. “Isso não é de agora. É resultado de uma trajetória”, sentenciou ela, antes de citar os números expressivos alcançados globalmente pela pós-graduação da UFMG. Dos 90 programas, 27 tiveram sua nota aumentada, enquanto 55 mantiveram-se no mesmo patamar, muitos deles com nota máxima.

reitora premio ufmg de tesesO combate à pandemia também foi abordado pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida em seu discurso. “As universidades se fizeram presentes desde o primeiro momento para contribuir na formulação de respostas à situação inesperada e trágica – trazendo a ciência mais perto da população e oferecendo subsídios e evidências para a construção de políticas públicas”, destacou ela, citando, no caso da UFMG, a criação do comitê de enfrentamento do novo coronavírus antes mesmo do registro do primeiro caso da doença em Minas Gerais, o atendimento prestado por seus hospitais, a estruturação de uma rede de testagem, com apoio do governo federal, que respondeu por mais de 30% dos exames feitos no estado, e as pesquisas que resultaram na vacina SpiN-Tec, cuja realização de testes clínicos de fases 1 e 2 foi autorizada recentemente pela Anvisa. “A UFMG foi incansável nessa luta”, resumiu.

Sandra Goulart também lembrou os desafios impostos à comunidade científica com os sucessivos cortes na pesquisa e na educação e acrescentou que a realização dessa cerimônia neste contexto desfavorável “simboliza mais que uma homenagem a nossos ilustres estudantes [agraciados com o prêmio]; sinaliza uma demonstração de força, esperança e coesão, um ato de resistência, uma luta por um sonho para todos nós que fazemos parte desta comunidade”.

O presidente da Fapemig, Paulo Sérgio Lacerda Beirão, elogiou a dedicação dos pesquisadores agraciados. “Desenvolver uma tese ou uma dissertação não é um trabalho trivial; exige um esforço muito grande, inversamente proporcional aos valores pagos pelas bolsas", comparou ele. Beirão, que é professor da UFMG, mencionou uma característica típica do cientista, que é a capacidade de se debruçar sobre o desconhecido, como a covid-19. “Se não fosse a pesquisa feita no mundo, particularmente na UFMG, talvez não estivéssemos aqui hoje”, ressaltou.
(Com Centro de Comunicação da UFMG)